Agora somos Chiba Church!

22.03.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Desde o final de fevereiro, mudamos o nome da nossa igreja e também criamos uma identidade visual para ela. E pode parecer algo estranho, pois já tínhamos um nome, contudo há uma história interessante por trás.

Mês passado recebemos como doação para a igreja toda a sinalização externa. Isso mesmo, tudo! Luminoso, adesivo para janela, placa para colocar na rua. E o mais legal, de um japonês, que ainda não é cristão mas que tem simpatizado com a igreja e nos ajudado muito. Ficamos muito felizes com isso.

 

Chiba Church

Por isso tivemos que criar um logotipo e toda a parte visual. Como a maioria deve saber eu e a Sandra somos formados em Design e sabemos o quanto uma boa identidade visual influencia na comunicação. Aproveitamos a oportunidade para também mudar o nome da igreja, algo que já tínhamos planejado há algum tempo. Não se preocupe, pois para fins oficiais continuamos como IMeL Chiba e conectados e subordinados à Igreja Metodista Livre da mesma forma que antes. Todavia pensando e orando, entendemos que esse nome, ou mesmo a tradução dele, não comunica como gostaríamos a nossa visão, intenção e jeito de ser para os japoneses, que são o nosso foco principal.

Na verdade as palavras Metodista Livre não fazem nenhum sentido para os japoneses. Percebemos isso de forma muito clara no último evento que realizamos na igreja, quando uma amiga japonesa vendo um cartão de natal que recebemos perguntou o que significava essas palavras e mesmo com a ajuda de uma outra japonesa, professora de línguas que sabe bem o português, não conseguimos explicar aquele conceito. Vimos que acertamos em mudar o nome para algo mais simples.

Outro ponto importante é que nessa comunicação visual temos incluído a frase de nossa visão: ser uma igreja que cria laços. Em japonês seria: 絆を大切にする教会 (kizuna wo taisetsu ni suru kyoukai).

Decidimos também ter nossa página no Facebook para divulgar os eventos que queremos realizar e comunicar o evangelho. Se quiser seguir a página para acompanhar nossas atividades como igreja, clique aqui.

Estamos muito empolgados com as portas que Deus tem aberto para nós. Obrigado por nos apoiar até aqui e contamos com as orações de todos, para que Deus mostre cada vez mais a Sua vontade e direcione essa igreja.

 

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Formatura – 卒園式

15.03.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

No post passado (link) falamos sobre o fim da etapa da escolinha da Nini e hoje tivemos a tão aguardada cerimônia de formatura, o Sotsuenshiki. E até agora, como havia dito anteriormente, ainda me impressiona toda a formalidade incluída em um evento que para nós brasileiros é como uma festa de encerramento escolar. E foi algo talvez mais organizado e formal do que foram as nossas formaturas da faculdade, por exemplo.

Vamos tentar descrever um pouco de como é a cerimônia. Para começar a entender a importância do evento aqui, as crianças vem treinando e fazendo ensaios há alguns meses, não apenas das músicas mas também de toda a ordem e da postura que devem ter em cada momento.

Os pais devem ir de roupas sociais e a tradição pede que sejam escuras para a cerimônia de encerramento e mais claras para o início das aulas. A cerimônia começa pontualmente, como tudo por aqui, com palavras de boas vindas e com as crianças cantando o hino da escola. Sim, a escolinha infantil tem um hino! Então iniciou-se várias apresentações e cumprimentos. Longos discursos, pelo menos para as impacientes crianças assistindo, falando sobre como foi o ano, parabenizando os alunos com palavras de ânimo para a próxima fase.

Depois as crianças foram chamadas uma a uma pelo nome e receberam um diploma e disseram algo que havia sido divertido nesse tempo. Após esse momento, as classes das crianças mais novas cantaram algumas canções e depois os próprios formandos. A cerimônia no salão principal se encerrou e as crianças e os pais foram para as respectivas classes onde tivemos uma despedida da professora e também dos membros da associação de pais e mestres, o PTA, da qual eu fazia parte. Fui pego meio de surpresa: usando um japonês bem simples, consegui agradecer por esse tempo onde aprendi muito com todos eles.

O interessante é que um ambiente formal assim no Brasil dificilmente seria considerado emocionante mas aqui é bastante. Os japoneses de forma geral são bem reservados, principalmente com relação a demonstrar emoções, mas chegamos à conclusão que nesses eventos eles soltam tudo de uma vez: podia se ver quase todas as mães chorando com um lencinho nas mãos.

Em um evento assim era de se esperar que a impaciente e hiperativa Nicole desse algum trabalho, até porque os ensaios foram bem difíceis nesse sentido. Mas fomos mais uma vez surpreendidos pela pequena que fez tudo muito bem.

Apesar de ser algo bem novo para nós participar ativamente disso me fez compreender bem todo o sentimento e esforço envolvidos e confesso que também me emocionei. Fizemos amigos ali, adultos e pequenos que espero ter para sempre. Então mesmo sendo “apenas” uma formatura de uma escolinha infantil posso afirmar com certeza que foi um momento inesquecível para nós.

sotsuenshiki nicole

 

 

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Jardim de Infância chegando ao fim

8.03.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

A Nicole está entrando nos últimos dias de aulas no youchien (jardim de infância) e isso traz muitos sentimentos para nós. O começo dessa jornada foi bem difícil, ver ela sofrer por não entender os amigos ou a professora, não conseguir pedir coisas básicas como beber água ou ir ao banheiro não foram situações fáceis de suportar. É muito duro ver seu filho sofrer e não poder fazer nada. Na verdade às vezes até podemos interferir, mas não devemos, pois algumas lutas e sofrimentos são importantes para o desenvolvimento deles. E é exatamente o que aconteceu com ela.

Passados dois anos, hoje a Nini está praticamente fluente em japonês, sem perder o português, com muitas amizades e até mesmo ajudando em tarefas da sala de aula com a professora. A escola deu um suporte incrível para a Nicole, apesar de suas dificuldades com a língua e da hiperatividade, sendo sempre muito atenciosos, cuidadosos e especialmente compreensivos com nossa dificuldade no entendimento do japonês.

Esse último ano em particular foi bem desafiador para mim, pois estava como membro do PTA (Associação de Pais e Mestres) e participando de muitas atividades e reuniões apesar de não entender tudo completamente, foi muito recompensador. Fiz muitos pequenos amigos e fiquei bem popular com eles. Afinal não é muito comum um pai que brinca de correr, de mágica, de luta com as crianças. Quando apareço na escola sempre ganho vários cumprimentos e até alguns abraços! Também aprofundamos nossas amizades com outras mães e aos poucos vamos entendendo cada vez melhor como agem e pensam os japoneses. Fizemos festinhas, almoços, ganhamos e demos presentes.

Em alguns dias teremos a formatura e confesso que achava estranho tanta formalidade, pompa e emoção por conta de uma formatura de jardim da infância. Vivenciando esse momento, agora entendo melhor porque é um evento tão importante para os japoneses, tudo que ele representa e a grande mudança que significa. Esse período culmina com o fim do inverno e início da primavera quando logo mais teremos o florescer das sakuras, o que torna tudo ainda mais emocionante e profundo.

Afinal, em abril todos eles estarão iniciando suas aulas na escola fundamental, onde já começarão a ir sozinhos para a escola, ajudar na limpeza, aprender a ler e escrever. Uma mudança e tanto para os filhos e os pais também.

Despedimo-nos desses momentos com alegria por ver o quanto a Nicole se desenvolveu e tudo que foi conquistado, também com um pouco de tristeza de já não mais encontrar diariamente os amigos que fizemos. Esperamos muito poder manter contato com eles mas a maioria vai para escolas diferentes e sabemos que já não será tão fácil encontrá-los. Reconheço que não ouvir mais me chamarem de “Nicorechan no papa” (papai da Nicole) me marejou os olhos. Mas ao mesmo tempo nosso coração se enche de alegria e animação pelo que está por vir.

 

nini youchien

 

 

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Fevereiro em 5 fotos

1.03.17

Postado por Sandra

 

fevereiro em 5 fotos

Acompanhe um pouco do que aconteceu no mês de fevereiro através de 5 fotos!

1. Almoço amigas/mães do youchien - Fizemos um almoço com duas amigas/mães dos amiguinhos da Nicole do youchien. Foi um tempo bem proveitoso e gostoso, já que as crianças estavam na escola, rs! Fizemos o tradicional prato aqui de casa, a torre de berinjela e elas gostaram bastante.

2. Sojya Festival - Foi um dia no youchien cheio de brincadeiras e um ˝canto do café˝, onde o Rodolfo estava de garçom ajudando a servir e a Nicole se divertiu bastante.

3. Frio - O frio do Japão é bem mais intenso que o Brasil e dura uns 4-5 meses, e a média de temperatura é uns 5-7 graus. Já falamos sobre o inverno neste post aqui. Como dura bastante tempo, já estamos com um pouco de saudade do calorzinho!

4. Valentine’s Day - Nesse dia, é tradição das meninas darem chocolate aos meninos. O Rodolfo ganhou esse chocolatinho e, claro, teve que dividir com toda a família. Em março, terá o ˝White Day˝, que ele deverá retribuir a gentileza dando um chocolate branco.

5. IMeL Chiba, almoço e aniversariantes de fevereiro - Como tradição da nossa igreja, uma vez por mês fazemos o almoço e comemoramos os aniversariantes. Tem sido momentos muito gostosos com todos e, como foi exatamente no dia do aniversário da Nicole, celebrou esse dia apagando as velinhas junto com a Rie e a Alessandra.

 

 

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Casa limpa X País seguro

22.02.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Casa limpa X País seguro

 

Certa vez li um artigo muito bom onde um brasileiro, residente na Holanda, comenta sobre a relação entre se lavar o próprio banheiro e poder abrir um Mac Book no ônibus. Um título no mínimo inusitado e que me chamou a atenção, e que me fez refletir um pouco sobre alguns conceitos e cultura que temos no Brasil ainda mais que estávamos prestes a nos mudar para o Japão. Recomendo a leitura do artigo nesse link. Resumidamente, ele defende que a violência é fruto da desigualdade social como vemos no parágrafo abaixo:

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Aqui no Japão é um pouco diferente do que ele descreve no texto sobre a Holanda, existe sim uma hierarquia social bem clara e rígida mas que não se reflete na situação socioeconômica da população. De forma geral as pessoas recebem salários decentes mesmo pelos trabalhos tido, especialmente por nós brasileiros, como sendo de menos prestígio. Por isso alguns serviços são bem caros comparados ao que estávamos acostumados no Brasil! E um deles é o de empregada doméstica ou faxineira. Não que não exista, contudo o empregador precisa ser muito rico para poder pagar um salário digno para quem for trabalhar para ele.

Apesar de já sabermos que seria assim, confesso que não foi tão fácil, reconhecer, questionar e mudar um conceito que tínhamos de que é necessário ter uma pessoa que faça a limpeza da sua casa para você. No começo foi meio penoso e fazíamos algumas coisas reclamando e pensando como seria bom ter uma faxineira. Com tempo fomos nos acostumando e vendo como não é assim tão complicado. Aqui, os produtos de limpeza são excelentes e práticos, as próprias casas e móveis são feitas de forma a ser muito fácil limpar e até mesmo a sociedade é estruturada para isso. O costume de tirar o sapato, por exemplo, faz muita diferença no dia a dia. As crianças também são ensinadas desde cedo a fazer parte das tarefas domésticas e tem aulas sobre isso e ajudam na limpeza da própria escola.

Após esses dois anos experimentando uma segurança impressionante nas ruas do Japão, na verdade quase inacreditável para quem veio do Brasil, concordo ainda mais com o texto que  prefiro limpar meu próprio banheiro do que ter que andar com vidro fechado e tenso em todo semáforo que paro. Também aprendemos a desencanar de algumas coisas com relação aos serviços domésticos, a valorizar alguns que são realmente chatos e penosos, e principalmente que é possível adequar isso à nossa rotina sem maiores estresses.

Sempre falamos entre nós que caso se voltarmos ao Brasil vamos manter aquilo que aprendemos aqui, a tirar os sapatos antes de entrar em casa e não ter mais faxineira.

 

 

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