Visita às igrejas

29.10.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

Temos realizado muitas visitas e gostaríamos no post de hoje de passar um breve reporte para vocês.

Continuamos as visitas a diversas Igrejas Metodista Livre e agradecemos a cada uma delas pela oportunidade que nos deram de divulgar o projeto e pelo apoio e orações. Desde agosto até agora estivemos nas igrejas de Santana, Campinas, Mogi, Jd. Planalto e Sorocaba. Agora nosso tempo de visitas acabou e nossa agenda está sendo ocupada pelos preparativos finais da mudança, afinal falta apenas um pouco mais de dois meses.

 

IMeL

 

Essa semana o Pr. Carlos Seiji deu entrada nos documentos do nosso visto lá no Japão. Tem sido um ponto de atenção, pois o prazo para que o visto saia pode ser demorado. Pedimos orações por isso. Apesar deste fator, estamos tranquilos.

Fora isso começamos os processos de vender alguns bens, encaixotar livros e coisas, escolher o que vai e o que não vai. Essa fase do “desapego” é mais difícil do que imaginávamos!

Temos procurado conversar bastante com as meninas sobre a mudança e todo o plano para que possam ir se adaptando e se preparando emocionalmente.

Em alguns momentos bate aquela ansiedade e uma pontinha de insegurança mas o apoio de todos e, claro, a presença de Deus tem nos dado forças para continuar. Então esse sentimento se transforma em empolgação e expectativa.

Mais um vez obrigado a todos que tem nos acompanhado e apoiado. É muito bom receber os retornos de vocês sobre o projeto. Deus os abençoe!

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Escola Japonesa

21.10.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

Uma das nossas maiores preocupações, como todos os pais, é a educação das nossas filhas. Queremos que elas tenham boas oportunidades para aprender e amadurecer. Educação faz muita a diferença na vida de qualquer um. É exatamente por isso que queremos que as meninas frequentem desde o começo uma escola japonesa. Apesar de saber que enfrentaremos a dificuldade linguística e de adaptação, acreditamos que a oportunidade de estudar em uma instituição muito qualificada e de poder crescer bilíngue e bicultural fará bem a elas.
Fora que é quase impossível comparar a escola japonesa com a aqui do Brasil, visto que no Japão elas são de muita qualidade, com alto zelo pelo aluno e públicas!
Existem escolas brasileiras no Japão que são boas também, porém são todas particulares e caras. Seriam uma opção apenas se percebermos que as meninas estão tendo dificuldade na adaptação.

Esse vídeo antigo do apresentador Serginho Groisman mostra um pouco dessa diferença entre a educação do Brasil e do Japão.

 

Vídeo Sérgio Groisman

Clique na imagem para assistir

Este outro o Rodolfo fez em 2013 conhecendo uma escola lá exatamente para saber como seria para as meninas estudarem.

 

Vídeo escola

Clique na imagem para assistir

O Japão possui o princípio que os alunos são o seu principal tesouro e farão de tudo para que as crianças tenham uma boa educação, mesmo as estrangeiras como as nossas filhas. Inclusive disponibilizando um tradutor exclusivo para elas se assim for preciso!
Então ficamos bem tranquilos que elas terão boas oportunidades, só com a preocupação da adaptação e para isso contamos com seu apoio e oração!

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Derrota ou Vitória

15.10.14

Postado por Rodolfo Veronese

 
Domingo passado foi dia das crianças, uma data que voltou a ser muito importante para nós há 5 anos atrás quando a Vitória veio. Eu havia escrito, em 2011, um texto contando a história da adoção dela em um outro blog, mas em homenagem à ela, à Nicole e todas as crianças, vamos colocar aqui também. Espero que de alguma forma a história dela sirva de inspiração a alguém e que Deus possa falar com você também.
Prepare uns lenços porque confesso que até hoje quando leio caem ciscos no meu olho, não sei de onde!
 

Derrota ou Vitória

Seria uma noite como outra qualquer se não houvesse uma apreensão quase palpável no ar. Depois de muitos anos tentando ter filhos naturalmente, havíamos decidido recorrer a um tratamento de fertilidade com todos os seus ônus psicológicos, físicos e financeiros e agora estava se confirmando: não havia dado certo. Frustração, dor, sentimento de culpa e questionamento marcaram aquela noite que, para mim, como marido e homem, era de derrota. Tínhamos decidido que essa seria nossa única tacada, nenhum de nós dois tínhamos condições para passar por aquilo tudo novamente. Só quem passou ou está passando sabe a intensidade do que estamos falando.

Passou-se o tempo, mas não minhas dúvidas e angústias. Por que Deus não me permitia ter filhos com a mulher que ele me dera de esposa? Por que eu não poderia ter esse privilégio depois de ter dedicado minha vida a servi-lo e até iniciado meu ministério, abandonando minha carreira profissional? Tudo me parecia muito injusto.

Sandra, minha esposa, que aceitara tudo bem melhor do que eu, logo começou a falar sobre adoção. Essa palavra me remetia a sentimentos ruins, aceitar a ideia de adotar uma criança era como carimbar e assinar meu atestado de fracasso. E ainda havia os preconceitos comuns: e se a criança não gostar de mim? E se ficar revoltada? E seu um dia jogar na minha cara que não é meu filho? Eu estava averso à ideia, nem discutia e já começava a aceitar a realidade de nunca ter filhos.

Pois mal sabia o que me esperava. Estava servindo em um acampamento de adolescentes como pastor da equipe, quando o preletor, amigo meu de longa data, em umas das palestras fez uma pergunta que me intrigou: – Se a Bíblia diz que Deus tem um único Filho, como nós somos chamados seus filhos também? Adoção! Deus nos adotou! respondeu. Eu nunca havia atentado para aquele fato e a sua resposta me abalou, não ouvi mais nada do que ele falou. Levei um tempo “brigando” com aquilo dentro de mim e com Deus. Até responder a Ele que não era o que eu queria, mas que eu aceitaria a ideia de adotar. Deus sabia meus desejos, minhas vontades e pude ouvi-lo claramente me fazendo uma promessa: Eu vou lhe dar uma menininha linda!

Demos entrada na documentação, fizemos as entrevistas e todo o protocolo, mas ainda demorei para engolir tudo aquilo, e meus preconceitos continuavam vivos apesar de mais fracos. Lendo o texto parece que foi tudo automático e rápido, mas a vida não é bem assim, não é mesmo? Na escolha do perfil da criança eu quis menina, eu sempre quis menina, mas pedimos com menos de 6 meses, porque achava que a criança tinha que ser pequena para não ter problemas futuros referentes ao fato de ela ser adotada. A espera para esse perfil era de pelo menos 2 a 3 anos. Neném eu até aceitaria mas criança grande nunca, como eu havia dito, meu preconceito ainda falava.

Coincidência ou não, 9 meses se passaram da entrada dos documentos, até o dia em que um amigo, promotor de justiça de uma cidade do interior, abordou-me em uma festa de casamento perguntando se eu não gostaria de conhecer uma menina que estava no abrigo dessa cidade. Ela havia ficado uma semana com ele e a esposa no fim do ano para liberar as funcionárias do abrigo para os feriados. Descreveu a menina como muito boazinha, bonita, com cara de mesticinha (o que fazia diferença já que eu sou do tipo italiano e minha esposa japonesa), mas a idade pegava para mim: 2 anos e meio. Eu disse que sim, mas já sem muito interesse. Minha esposa, pelo contrário, já se empolgava, ficava sonhando e me perguntando o que eu pensava, e eu só respondia: – É… vamos ver!

Foi-se um mês, era uma quinta-feira, esse meu amigo me liga quase me intimando a ir conhecer a menina. Ele não queria que ela ficasse mais tempo no abrigo. Perguntou se eu poderia ir no fim de semana, mas eu seria padrinho em um casamento no sábado e tinha compromissos no domingo. A solução seria ir no meio da semana, para mim era tranquilo, mas a Sandra precisava ver com a empresa, que de maneira muito bondosa a liberou. Tudo combinado, iríamos na quarta, só avisamos as pessoas mais chegadas para não criar expectativas.

Nesses dias recebemos umas fotos da tal menina, minha esposa chorou ao ver, eu nem uma expressão sequer tive. Espantei-me com a minha própria frieza ao ver aquelas fotos, tamanha era a minha defesa para não me magoar novamente. Sinceramente não acreditava que daria certo e, portanto, não ia me deixar levar.

Quarta-feira, chegamos pela manhã e almoçamos com esse casal de amigos e à tarde fomos para o abrigo. Estava muito nervoso, desconfortável, não sabia como agir e poucas vezes senti isso tão forte assim. Chegamos, uma casa simples, uma criança que estava na porta correu para dentro, entramos e conhecemos as funcionárias, todas muito simpáticas, e sentamos em um sofá com alguns brinquedos jogados em cima, ouvíamos o som de algumas crianças mais para dentro. Estávamos conversando, eu procurava ser simpático, mas minha indiferença era bem aparente.

Da porta que levava aos quartos, entrou uma menininha na sala. Tudo parou, como aquelas cenas de filme, um rostinho meigo, meio acanhada, cabelinho preso por uma presilhinha e linda, absolutamente linda. Foi questão de segundos, mas pareceram horas. Era do jeito que eu sonhava em como seria minha filha. Tive certeza de que era uma que se desgarrou das funcionárias e veio ver quem estava na sala e, definitivamente, que não era a menina das fotos, de jeito nenhum, estava muito diferente para ser. Meu coração calejado já se preparava para o pior: a frustração de ver uma menina linda como aquela e não ser ela que eu poderia adotar. Até que a moça que nos atendia disse a frase que me paralisou de vez: – Olha ela aí!  Pensei – O quê? Essa é a menina? – Ajeitei-me no lugar e levei a mão ao rosto, eu não podia acreditar, era ela! Fiquei mais abalado do que gosto de admitir. Passei um bom tempo sem acreditar e meio sem reação. Fomos apresentados e, apesar de tímida, aquela “coisinha” linda era muito simpática.

Agora eu tinha a certeza de que eu a queria como filha, mas também tinha uma dúvida: será que ela nos queria como pais? Ficamos conversando e brincando até o momento em que ela estava no colo da esposa do meu amigo promotor que nos acompanhava e quando começou a apontar para as pessoas e dizer quem era e invariavelmente chegou na Sandra.

– E essa quem é? Quem é essa? – perguntou.

E ela acenou com a cabeça que não sabia.

– É a mamãe! – respondeu para ela – E aquele é o papai – disse apontando para mim.

Eu não podia acreditar no que eu via, seus olhinhos brilharam, sua felicidade era externada de um modo que só a inocência e sinceridade das crianças podem fazer. A funcionária, conhecendo-a bem do tempo que passara ali disse: – Finalmente né, querida! O papai e a mamãe bonzinhos que você tanto pedia! Tenho essa cena de forma tão vívida e clara na minha memória ao ponto de poder descrever detalhes do lugar, mesmo passado quase 2 anos. E creio que a terei até o fim dos meus dias.

Saímos com ela, tomamos sorvete, demos uma bonequinha de presente. E no final do dia, estávamos acertando os detalhes sobre o processo com o advogado lá no abrigo mesmo. Naquele momento não tinha mais dúvidas algumas, faria o que fosse, pagaria o que fosse preciso. Achei que não teria mais nenhuma emoção nem surpresa, mas aquela menina ainda tinha uma carta na manga para quebrar de vez meu coração duro. No meio da conversa senti uma mãozinha batendo na minha perna e me chamando, virei e lá estava ela com um caderninho na mão perguntando: – Pode esse, papai? Fiquei atônito “Papai? Papai? Ela me chamou de papai?” O advogado, e também coordenador do abrigo, com cara de espanto me disse: – Eu nunca vi chamar de pai no primeiro dia! Estávamos na dúvida se já a levarímos para dormir conosco e ele foi categórico: – Vocês já podem levá-la sim, depois dessa…

Naquela noite ela não queria dormir, relutou bastante, até percebermos que era porque estava com medo de que aquilo tudo acabasse. Acalmamos a pequena repetindo que agora era para sempre. No dia seguinte, voltamos ao abrigo para pegarmos algumas coisas para ela – afinal tinha sido tudo tão de repente que não tínhamos roupinhas nem nada – e para se despedir de todos. Ela disse tchau e veio conosco na maior naturalidade, sem chorar como ela mesmo havia prometido para uma das funcionárias que o dia que o “papai e a mamãe bonzinhos” viessem, ela não choraria.

E lá estávamos nós, com termo de guarda na mão. Que reviravolta em nossa vida, num dia apenas um casal e, literalmente, no outro já éramos pais. Na viagem de volta, lembrei da fidelidade de Deus para comigo e que eu estava recebendo a menininha linda que me prometera. Algumas vezes tive que diminuir a velocidade e até encostar para limpar as lágrimas, assim como o faço enquanto escrevo esse texto.

Como eu havia sido tão bobo, egoísta e preconceituoso. Arrogante ao ponto de achar que não ter filhos naturais me fazia um derrotado. O nome daquela menina, agora minha filha, que não fora escolhido por nós, não poderia ser mais propício, porque de um sentimento de derrota, Deus havia nos dado a Vitória!

Nos meses seguintes tivemos as alegrias e as dificuldades que quaisquer pais têm, naturais ou não: fazer comer, obedecer, tirar a chupeta, dormir junto, febres, choros de dor, de manha. E por muitas vezes no início ela nos olhou e perguntou: – Pai e mãe, Itóia? Como se não acreditasse que aquilo ainda era real. E não havia nada mais recompensador que o seu sorriso quando respondíamos: – Sim! Pai e mãe da Vitória e a gente nunca vai embora, vamos estar para sempre com você! Hoje, assim como nós, ela não tem nenhuma dúvida, em suas próprias palavras: – A gente é família e é feliz! Para mim pessoalmente, ouvir um “Papaizinho, eu te amo”, não tem preço! Faz me sentir completo.

Vitória é uma menina maravilhosa, educada, boazinha, mas que dá trabalho como qualquer outra criança. Às vezes faz coisas que nos arrancam gargalhadas; outras que precisam de disciplina. Mas uma coisa é fato, ela tem a convicção de que é amada por sua família. Fazemos questão de contar-lhe sempre a sua história. Nosso desejo é que ela cresça sabendo que é adotada sim, e tenha orgulho disso, nunca vergonha, pois sua história é um exemplo vivo do amor de Deus por seus filhos.

Omiti os nomes das pessoas que nos ajudaram tanto nessa caminhada porque não pedi autorização para publicá-los, mas nossa gratidão é eterna.

Que esse amor de Deus que nos adotou sendo nós ainda rebeldes e órfãos esteja conosco sempre.

 

Vitória

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Chiba

7.10.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

Chiba, a província onde iremos morar, é uma península próxima de Tóquio tendo de um lado a Baía de Tóquio e do outro o Oceano Pacífico. Localiza-se na região chamada de Kanto, no leste japonês.

Devido à longa costa marítima ao longo da Baía, é considerada uma das maiores áreas industriais do Japão, facilitando também a indústria pesqueira, também uma das maiores do país. Por ser uma grande planície e praticamente sem montanhas, é uma das mais importantes produtoras agrícola competindo até mesmo com Hokkaido. É conhecida como a terra do amendoim e do peixe.

Chiba é onde se encontra também alguns pontos importantes como o Aeroporto de Narita e a Tokyo Disneyland.

Diversas linhas de trem ligam a província a Tóquio, mas talvez um dos caminhos mais famosos seja a Aqualine, uma estrada subterrânea que passa por debaixo do leito da Baía de Tóquio.

Chiba

Várias bandas de rock japonesas tem raízes na província de Chiba, incluindo a popular banda X Japan.

A palavra Chiba é formado a partir de dois kanji. O primeiro, , significa “mil”, e o segundo, 葉, significa “folhas”.

Esta é a província onde iremos morar, um lugar bem industrializado próximo a um grande centro urbano, talvez muito parecido com o Vale do Paraíba no estado de São Paulo.

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