De repente mãe

25.11.14

Postado por Sandra

 

Eu e o Rodolfo estamos casados há 13 anos. Como namoramos por mais de 7 anos, então estamos há mais de 20 anos juntos. Com todo esse tempo, já brigamos (quase) tudo o que deveríamos, e hoje possuímos uma cumplicidade bem legal. Concordamos no modo de educação das meninas, procuramos resolver as nossas diferenças, dividir as tarefas da casa e isso facilita muito o nosso dia a dia.

Como já dissemos nesse blog (veja o post sobre a vinda da Vitória aqui), nossas duas filhas são adotivas e, depois da vinda delas nossa rotina mudou repentina e drasticamente, ficou tudo muito mais agitado: choros, risos, artes, lição de casa, hora da refeição, do banho, de dormir, da soneca, do leite, dos remédios, arrumação de mochilas, dos uniformes, agendas para verificar e responder, dentre muitas outras tarefas que quem é mãe conhece e sabe quanto tempo isso ocupa da nossa rotina já tão apertada. Com a Vitória foi assim, um dia éramos só um casal e outro já éramos pais… assustador! A vinda da Nicole não foi muito diferente, numa quarta-feira nos ligaram e sexta já estávamos com ela. Não tínhamos berço, banheira, fralda, leite, roupinhas, nada. Imaginem como foi a correria desses dias.

Temos uma rotina bem ajustada, todo os dias levanto às 6h e antes das 23h não costumo estar na cama. Como possuímos apenas um carro, de manhã o Rodolfo leva a Vitória na escola e, assim que ele chega, saio com a Nicole para levá-la para escola e depois ir trabalhar. A sincronia tem que ser perfeita, como numa competição de revezamento. As duas estudam no período integral.

Tem dia que me sinto bem cansada. São aqueles momentos que levam apenas uns 20 segundos entre o ato de deitar e dormir – e isso sem exagerar! Mas, por mais que me sinta exausta, sempre me lembro da época que fazia faculdade de Desenho Industrial, não chegava antes da meia-noite e acordava bem cedo no dia seguinte para ir trabalhar. Nunca tinha tempo sobrando nem dinheiro! Aí penso que hoje não está tão ruim assim. Pois tudo depende do nosso referencial, não é mesmo?

De repente mãe

E também percebo que, apesar de tudo, é gostoso ver as meninas bem cuidadas e o carinho que retornam, e isso acaba compensando qualquer trabalho. Receber repentinamente um beijinho com um “Mamãe, te amo!” derrete qualquer coração cansado.

Quando estivermos no Japão, nossa rotina irá mudar novamente. Não temos muita ideia exatamente de como será, mas acredito que terei muito mais tempo com as meninas. Isso será muito bom para o desenvolvimento delas, visto que estaremos em outra cultura e isso já é um fator estressante por si só. Vejo o quanto Deus tem dado à nossa família essa oportunidade de estarmos mais unidos, apesar das circunstâncias.

Lá no Japão falarei como será a nossa adaptação. Vou ter muitas novidades para contar, aguardem!

 

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Infância

18.11.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

O ano era 1998, eu era o coordenador do acampamento de jovens da IMeL Pinheiros e havia voltado para trabalhar pois estava estagiando em meu último ano de faculdade. O preletor era meu amigo Luca que havia me emprestado uma fita cassete (que coisa antiga!) com algumas de suas músicas que eu ouvia no caminho de volta ao acampamento na tensa estrada para Embura. Quando uma certa música me chamou a atenção, senti algo esquisito dizendo: “Preste atenção!” Voltei a fita e ouvi de novo. A letra da música “Infância”, dos Escravos de Cristo (veja a letra neste link) era a minha história. Mudei-me do Rio de Janeiro para São Paulo no meio da adolescência e foi algo bem doloroso, pois deixei meus amigos e a minha infância para trás. Apesar de não ser cristão ainda, tinha uma percepção grande que tudo aquilo era por conta de Deus e confesso que me revoltei com Ele. Mas foi por causa dessa mudança que conheci um japonês chamado Carlos Nomoto que me convidou para ir à igreja e assim conhecer a Cristo. Após isso, conheci também a Sandra. Aquela música batia com a minha história e naquela noite Deus disse que mudaria minha vida de novo como tinha feito há alguns anos.

Chegando ao acampamento, a pregação do Luca falava sobre um livro com a história de um missionário. Aquilo mexeu demais comigo e naquela noite decidi que queria uma vida como aquela, sem saber que Deus falava o mesmo para a Sandra, minha namorada na época (falamos desse livro aqui).

Recentemente, ao arrumar a mudança, achei o CD com essa música e fiquei ouvindo no carro. À noite, na hora de dormir, a Vitória pediu que eu cantasse a música da “doce mulher”. Comecei a cantar e quando chegou na parte onde o menino perde a casa, a Vitória e a Nicole começaram a chorar. Perguntei o motivo do choro. Vitória, sempre mais sensível, disse que era porque a música é muito triste.
– Mas eu ainda não terminei de cantar – retruquei. E você, Nicole, por que está chorando?
– Porque eu não quero me mudar, pai. Não quero ficar longe das pessoas que eu amo: o Di, a Bá, a Vovó, a Tibi (cachorrinha da minha sogra)! (Di de ditchan, avô em japonês e Bá de batcham, avó)
Uau, aquilo partiu meu coração, até porque subestimamos o quanto a Nicole estava entendendo daquilo tudo. Orei a Deus para me dar sabedoria nesse momento. Então terminei a música e expliquei que tinha sido bom o menino se mudar. Aproveitei para falar da minha própria história. Depois elas oraram pedindo para Deus cuidar de quem fica aqui e do nosso tempo lá no Japão.

No dia seguinte, estava contando para a Sandra isso e percebemos que a Nicole estava prestando atenção e perguntamos de forma despretensiosa:
– Por que a gente vai mudar para o Japão, Nini?
E a minha pequena mais uma vez nos surpreendeu dizendo:
– Porque nós amamos Jesus!
Foi então que percebi que aquela música não fazia sentido só para mim mas era também a história das minhas filhas e que Deus tem um plano para elas lá também.

 

Infância - culto de envio

15 anos se passaram desde aquela noite do acampamento, e domingo passado (16/11/14) foi a “cereja do bolo” com o culto de nosso envio. Receber tanto carinho dos nossos irmãos e amigos da IMeL Diadema com quem estamos caminhando há 10 anos foi muito emocionante. Anos de crescimento, lutas, dúvidas, certezas, amadurecimento, broncas e muita alegria em servir a Deus juntos.
Não poderia ter sido melhor. Só temos palavras de agradecimento por todo o carinho e apoio que temos recebido. Ser enviados por essa igreja é uma honra! Obrigado por cada abraço e oração.
Foi muito confortante saber que nossas famílias também estavam presentes, pois sabemos que essa situação tem sido difícil para eles também.
A mensagem não poderia ter sido melhor, o próprio Carlos Nomoto nos desafiou a sermos pessoas ordinárias sendo usadas de maneira extraordinária por Deus. Obrigado por tudo, meu brother!

Tudo que tem acontecido tem sido um experimentar constante de que o melhor lugar para se estar é no centro da vontade de Deus.

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Culto de Envio

11.11.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

Como eu havia dito no post anterior (veja aqui), alguns momentos na vida são muito importantes, como foi o domingo do Concílio e como será domingo que vem (16/11/14) na IMeL Diadema.

Teremos nosso culto de envio, um tempo para louvarmos a Deus por esse tempo e sermos abençoados e enviados pela nossa igreja que tem nos ajudado no amadurecimento e concretização desse projeto. Também queremos que seja um tempo de estar com os amigos que tem nos apoiado. Será um tempo de “despedida” – coloco entre aspas porque continuaremos em contato e ligados, com muita gratidão por tudo que Deus tem feito até aqui.

Por isso, você é nosso convidado. Mesmo que você não seja membro da IMeL Diadema, ou até mesmo de nenhuma outra igreja e tem nos acompanhado, sua presença será muito importante para nós.

 

eis-me_aqui

 

Esperamos por você!
Igreja Metodista Livre de Diadema
Av. Alda, 801 Centro – Diadema – SP (Mapa)
10h – estacionamento em frente

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Um passo a mais

4.11.14

Postado por Rodolfo Veronese

 

Alguns dias são especiais, aqueles que nunca esqueceremos, especialmente quando marca uma mudança significativa de alguma fase em nossas vidas. Assim foi o dia em que me mudei pra São Paulo, passei na faculdade, arrumei o primeiro emprego, casei com a Sandra, que nos tornamos pais, quando fomos ao Timor Leste entre outros. E o fim de semana passado foi um desses, pois após uma longa caminhada pontuada por acertos e erros, crises e certezas, fui ordenado presbítero da Igreja Metodista Livre. E no mesmo momento fui então oficialmente designado para a IMeL Chiba – Campo Missionário Japão. Um dia que vai mudar e muito meus próximos anos.

Ordenação Rodolfo

Vou tentar explicar o que isso significa. Dentro da estrutura organizacional da Igreja Metodista Livre existem algumas etapas para que um candidato ao ministério (alguém que quer ser pastor) deve seguir. E depois de ter tido experiência no pastorado e cumprido algumas exigências, o último passo é ser reconhecido como presbítero. Um título dado em reconhecimento que aquela pessoa está madura como pastor para assumir uma igreja da denominação sozinho e ser eleito para determinados cargos. Lembrando que a Metodista Livre tem como valor sempre ter em suas comissões e lideranças uma paridade entre “clero” e “leigo”. A palavra presbítero vem do grego e pode ser traduzido por anciões ou elders, em inglês.

Para os amigos mais jovens e gamers fica mais fácil de explicar, basicamente eu upei de level, subi de classe – mais ou menos como passar de Padawan para Mestre Jedi! Por isso estava de terno, mas na verdade queria estar de capa Jedi! Hehe…

Brincadeiras à parte, é um reconhecimento muito importante e cheio de responsabilidades, espero ser capaz de atender a todas elas… quer dizer, espero confiar em Deus para que Ele me ajude nessa nova etapa.

Agradeço a todos que de alguma forma fizeram parte nessa minha caminhada, ensinando, aconselhando e andando lado a lado comigo.

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