O inverno no Japão

25.02.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

O Japão tem as suas estações bem definidas. A moda, os produtos nas lojas e as atividades são guiadas por elas. Por exemplo, será quase impossível achar roupas de frio daqui a algumas semanas. É tudo recolhido e trocado para a coleção da nova estação.

Diferente do Brasil, aqui é importante que os aparelhos de ar-condicionado também tenham a função de aquecer. Mas usa-se bastante também aquecedores elétricos e à querosene. As casas não possuem um sistema de calefação central e ninguém sabe explicar bem o porquê, então é possível passar bastante frio na sua própria casa se não tiver algum desses aparelhos.

Aqui onde moramos não costuma nevar, mas algumas semanas atrás vimos cair alguns pequenos flocos apenas. Mesmo assim o vento gelado torna qualquer saída rápida ao supermercado difícil. Dias de chuva, vento e frio são realmente desanimadores até mesmo para quem gosta mais do inverno.

inverno

Como já tínhamos vindo em janeiro do ano passado (2014), tínhamos alguma noção do que enfrentaríamos e estamos sobrevivendo bem. Luvas, cachecóis e blusas apropriados não são apenas acessórios de moda, são bem necessários em todos os momentos!
Logo que chegamos pegamos temperaturas mais baixas com algumas madrugadas fazendo 1 a 2 graus mas agora a temperatura já tem aumentado e começa os indícios de primavera. Logo entraremos na bonita fase da primavera e as ruas serão coloridas pelas flores e sakuras!

A Sandra, mais magrinha, sofre mais com o frio, a Vitória reclama às vezes, mas encarou bem a ida para a escola nas manhãs bem frias e a Nicole parece não ser afetada pelo clima pois nunca reclama. Já o Rodolfo adora, sai de bermuda e camiseta estando 5-6 graus.

Ao contrário dos Starks na famosa série da TV Game of Thrones, aqui não podemos mais dizer que “O inverno está chegando”, mas sim, que já está indo, para a tristeza do Rodolfo e alegria do resto da família.

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Inkan ou Hanko

18.02.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

Logo que chegamos, descobrimos que no Japão não se costuma assinar, e sim carimbar os documentos.
O Japão é um dos poucos países no mundo que ainda usa esse sistema de legitimação de documentos. O inkan (印鑑)  ou hanko (はんこ) é o antigo e famoso sinete, um carimbo com a marca da família ou instituição que era usado para marcar à cera quente que selava documentos.

Hoje o hanko se modernizou e passou a ser só um carimbo usando tinta mesmo, não mais cera quente, apesar de ter sido mantida a tradicional cor vermelha.
Aqui é possível mandar fazer o tal carimbo com diversos tipos de escritas e até mesmo desenhos. O mais comum mesmo é se comprar nas lojas de 100 yen, semelhantes às lojas de R$ 1,99 do Brasil.

Independente do desenho, é preciso ter o sobrenome do dono escrito de alguma forma. E essa foi uma das tarefas burocráticas que tivemos, fazer o nosso hanko! Nós não, pois a Sandra comprou o dela com o kanji de Hirayama por 100 ienes (R$ 2,20) mas como não existe kanji para Veronese, o Rodolfo teve que mandar fazer o dele que saiu pela “bagatela” de 3000 ienes (R$ 70). Isso é para deixar um pouco mais felizes todos os nossos amigos descendentes de japoneses que sofrem no Brasil para soletrar seus nomes.

 

hanko

Além disso, é possível fazer o Inkan shomei (印鑑証明), que é o registro do carimbo na prefeitura, que funciona parecido com a firma reconhecida do Brasil. Para alguns documentos pede-se esse certificado indicando que aquele carimbo é realmente o seu.

Interessante ver em um país, que é conhecido por seus avanços tecnológicos, sistemas e métodos antigos e quase em extinção pelo mundo. Aliás, essa tem sido uma surpresa para nós em outros aspectos mas aí é assunto para outro post.

O legal é que agora com duas carimbadas a gente escreve o nome inteiro da família e desse blog!

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Primeiro dia de aula

11.02.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

Como havíamos comentado em outros posts (“Escola Japonesa” e “Nem tudo são sakuras”), uma de nossas maiores preocupações era a adaptação das meninas à escola aqui do Japão. E apesar de ter ouvido mais de uma vez que Deus cuidaria de tudo, no fundo ainda era uma preocupação.

Que bobagem, pois Ele estava cuidando mesmo! Primeiro com relação à localização de nossa casa, pois aqui no Japão a escolha da escola depende do local onde a criança mora e apenas em caso de exceção pode mudar. O local onde alugamos é exatamente no meio entre duas e escolas e por isso pudemos escolher.

Visitamos as duas escolas para conversar sobre a Vitória e suas dificuldades de adaptação. A recepção foi muito diferente entre as duas, sendo que uma saímos com o sentimento de que se a Vitória estudasse ali seria um grande incômodo, mas na outra foi “por favor, coloque sua filha aqui, estamos ansiosos por ela!”. Aí ficou muito fácil de escolher.

Depois de tudo decidido, fomos na escola com a Vitória para acertar os detalhes para ela começar as aulas. De novo fomos surpreendidos por uma recepção super calorosa, com os professores sendo muito simpáticos e até usando um aplicativo de tablet para traduzir as coisas para a Vi!

Agora precisávamos decidir com qual grupo a Vitória iria para a escola, pois aqui as crianças vão em grupos, sem um adulto, para as aulas. E aí veio mais uma boa surpresa, no mesmo grupo dela está um menino brasileiro que fala português e japonês. E tem mais, ele é filho de um casal que era da nossa igreja que hoje vão na Assembléia de Deus e parentes de membros da nossa igreja. Eles têm sido uma benção de Deus em nossas vidas, ajudando com as coisas da escola e aqui da vizinhança.

Material comprado, grupo decidido, etc… estava chegando o grande dia. Na noite anterior ao perguntar para a Vitória como se sentia, ela respondeu: – Estou nervosa, minha garganta parece que está embolada! – É normal, filha, e isso chama “nó na garganta” mas vai dar tudo certo! – respondi a ela tentando disfarçar que a minha garganta também estava com esse nó!

No dia seguinte, acordamos cedo em um das manhãs mais frias e fomos conhecer o grupo. Tive permissão para acompanhá-la até a escola e buscá-la nos primeiros dias apenas até ela se adaptar. Conversamos novamente com os professores, dei tchau e fui embora muito mais nervoso do que poderiam perceber, ansioso por como seria à tarde, na saída da escola.

Quando chegou a tarde veio a confirmação: ela tinha adorado a escola, os amigos e as professoras! Descobri que a classe toda treinou para se apresentar para ela em português na semana anterior. E mandaram todos os avisos com tradução (no Google Translator, mas tá valendo).

Vivi na escola

Sei que o sorriso dela, a animação contando como foi o dia jogaram fora totalmente minhas preocupações e a última barreira que existia em meu coração sobre estar aqui foi derrubada. Agora nada mais segura a gente!

Muito obrigado a todos que tem orado por nós especialmente pelas meninas! Fez toda a diferença.

Agora é achar a escolinha da Nicole, mas esse será para um outro post!

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Era uma casa…

4.02.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

Era uma casa muito engraçada… a privada é separada da pia e do box, tem que tirar o sapato para entrar e os armários tem sistema para não abrir durante um terremoto! Mas foi feita com muito esmero na rua… certa que precisávamos morar aqui no Japão.

Mesmo com essas diferenças, nossa casa aqui parece muito com o nosso apartamento do Brasil. 3 quartos, sala, cozinha, banheiro e uma varandinha. O que foi ótimo, pois nos deu uma sensação mais familiar tornando nossa adaptação mais fácil. Sim, já temos um casa para chamar de lar.

Apesar de estarmos muito bem instalados e recebidos tanto na casa da dona Neusa, mãe do Rodolfo, antes de viajarmos, assim como na casa da Ruth quando chegamos, a vida nômade estava cobrando seu preço em termos de cansaço e estresse. E logo que acabamos de providenciar os documentos mais importantes daqui fomos atrás de imobiliárias.

Na verdade, já havíamos decidimos mais ou menos onde gostaríamos de morar e desde nossa vinda do começo do ano passado temos pesquisado os imóveis daqui do Japão pela internet. Já tínhamos alguma ideia do que queríamos, mas só  estávamos vendo casas. Achava que seria melhor por ser maior, não ter vizinho embaixo, etc. E então surgiu uma casa grande, barata e muito bem localizada, parecia a casa perfeita. Ficamos animados!
Nossos irmãos daqui procuraram a imobiliária responsável mas foram informados de que já tinha alguém interessado, e na verdade foram um pouco destratados por serem estrangeiros. Alguns dias antes de viajarmos ela foi alugada. E então tive certeza, Deus tinha algo ainda melhor para nós!

Procuraram outra imobiliária e nessa sim foram atendidos por um dos japoneses mais simpáticos que já conhecemos, o Wada-san. As opções de casa eram poucas e então sentimos que deveríamos abrir os horizontes e procurar também os “apatos”. Apatos são pequenos edifícios com condomínios de 2 andares e 4 a 6 unidades. E aí surgiram mais opções.

Gostamos muito de um, mas era novo e a empresa proprietária pedia muitos documentos para ter garantia de nossa parte. O que dá pra entender, afinal um pastor estrangeiro sem vínculo empregatício não passa muita segurança mesmo. E aqui entrou a ajuda do Wada-san que foi super atencioso conosco e nos ajudou muito até todo o fim do processo. Também dos nossos irmãos da igreja que nos ajudaram com toda a documentação. E então aceitaram nossa proposta!

fachada

 

genkan

Genkan – entrada da casa, onde tiramos o sapato

Tínhamos alguma ideia da localização mas depois analisando com calma vimos que era a melhor possível. Com várias facilidades perto, a 15 minutos a pé da estação de trem e bem no meio entre duas escolas onde a Vitória estudaria. Pudemos escolher qual escola e isso fez muita diferença. Vimos a mão de Deus claramente nos guiando nesse sentido, mas essa é história para outro post!

cozinha

Cozinha americana

sala

Sala

IMG_0316

Vista do “apato”

Agora temos um lar. Tudo bem que não tem quase nada dentro e estamos dormindo em colchões no chão, com uma mesa de camping na sala e nossa geladeira fica em uma caixa plástica na varanda ou no quarto que não tem aquecimento pois está fazendo de 1 a 8 graus. Mas é nosso cantinho e estamos muito felizes.

E será um prazer  receber as visitas, o quarto de vocês está preparado! Estamos esperando, ou como dizemos por aqui: 待っています!

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