Nem tudo são sakuras mesmo!

18.11.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

Nem tudo são sakuras, esse foi o título de um post antigo que foi escrito antes de virmos para o Japão (veja nesse link) onde colocávamos algumas de nossas preocupações. Algumas não se concretizaram, outras nos pegaram de surpresa, porém estávamos certos de que nem tudo são sakuras mesmo.

Nossa intenção nesse post não é nos vitimizar, até porque foi escolha nossa vir para cá, mas sim quebrar um pouco do romantismo exagerado quando se fala em missões. São situações que já passaram e não nos incomodam mais, na verdade hoje damos até risada! Pois morar no Japão ou em qualquer lugar no exterior nem sempre é tão mágico ou fácil como se imagina.

Logo que chegamos não tínhamos carro, apenas a nossa bicicleta, no entanto era pleno inverno e andamos muito no frio e até na chuva para ir até à estação de trem ou no supermercado. Um domingo ao irmos para a igreja estava chovendo sem parar e não adiantava esperar passar, então improvisamos uma capa de chuva por cima do carrinho da Nicole e encaramos a caminhada. Foi tenso e molhado! Nos dias de frio, o vento gelado era de rachar e o Rodolfo, mesmo de luva, ia revezando a mão que doía de frio para empurrar o carrinho.

nem tudo são sakuras 2

Quando começamos a levar a Nicole de carro no youchien (escola infantil), a Sandra, por não entender as muitas regras do estacionamento, parou algumas vezes errado. E era engraçado que apenas o nosso carro estava lá no estacionamento e ela voltava pra casa dizendo ˝acho que fiz alguma coisa errada, porque só tinha eu lá nesse horário!˝.

Essa falha no entendimento do japonês também nos fez mandar as meninas com roupas erradas para a escola em algumas ocasiões. Era para ir com uma roupa velha para pintura e o Rodolfo entendeu que era para mandar com uma roupa bonitinha e a Vitória voltou com o lindo vestidinho cheio de pingos de tinta.

Cada ligação para tentar resolver algo era um motivo de estresse. Certa vez, ao ligar para a o suporte da internet, após a atendente explicar tudo usando um japonês bem formal e difícil, o Rodolfo explicou que era estrangeiro e pediu para ela usar palavras mais simples. Ela repetiu tudo igual só que bem de-va-gar. Continuamos sem internet por mais uma semana…

Em nossas andanças de trem voltando da igreja, já bem cansados do dia puxado, depois de algumas estações com nomes desconhecidos percebemos que erramos o sentido! Voltamos para nossa rota correta mas por causa disso levou 45 minutos a mais! Minutos esses que a Sandra teve que aguentar a cara emburrada do Rodolfo todo o caminho de volta.

Acostumado com o volante do lado esquerdo, o Rodolfo também calculou o tamanho do carro para a esquerda errado e ao sair do estacionamento do youchien resolveu ˝levar junto˝ um poste de metal pequeno que segura a corrente. Perdemos a saia lateral de nosso carro e por sorte não amassou a lataria. Claro que isso foi na frente de várias mães levando seus filhos. No dia seguinte colocaram um ˝extensor˝ bem alto. Só faltou estar escrito ˝não bata aqui, seu braço!˝. Apesar do prejuízo, rimos bastante da situação e reza a lenda que a Sandra vai zoar o Rodolfo por causa disso por toda a eternidade.

Essas foram algumas das situações ruins que passamos e, apesar disso, em todas elas vimos a mão de Deus que nunca nos abandona. Mesmo com as dificuldades, nossos dias tem sido recheados de bençãos, alegria e amizade.

 

compartilhe Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail to someone
comente 0

Deixe uma resposta

DESIGN: Sandra H. V. • programação: webonfocus