Deus é brasileiro?

17.08.16

Postado por Rodolfo Veronese

 

Como comentamos anteriormente, estive no Brasil por duas semanas entre junho e julho, e dessa vez queria comentar o choque cultural reverso que tive e as reflexões que tirei disso.

Confesso que já começou com a chegada em Guarulhos pois a diferença entre os aeroportos de Narita (Japão) e Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) e Cumbica (São Paulo, Brasil) são grandes. Depois foi o choque com a sujeira e a desorganização. Está certo que eu peguei a Av. Juntas Provisórias e Anhaia Melo que, para quem conhece São Paulo, sabe que não são lugares mesmo muito bonitos. Mas de qualquer forma foi bem mais chocante do que eu estava esperando.

 

Deus é brasileiro?

 

Junto com isso o trânsito bem agressivo habitual dos paulistas. Ao me encontrar com os amigos e sair para comer ou tomar um café foi o momento de me lembrar que atendimento igual aqui no Japão é difícil de encontrar. E na minha primeira ida ao supermercado me peguei abaixando a cabeça e pedindo licença para todos que eu passava na frente no melhor estilo japonês.

Quem lê até aqui pode achar que estou sendo arrogante e supervalorizando o Japão, mas quero deixar claro que estar no Brasil também me fez lembrar dos problemas da terra do sol nascente também. Afinal aqui as ruas são limpas, as pessoas educadas e o atendimento é ótimo mas tudo isso tem um preço. Sempre digo que morar no Japão é muito bom mas viver não tanto assim. Uma cultura absurdamente inflexível, cheia de regras e etiquetas e muito indireta. Vi como é fácil fazer amizade no Brasil, seja com vizinhos, vendedores etc. Para se ter uma ideia, minha mãe se mudou há pouco mais de um mês e já conhece vários vizinhos do prédio, eu moro há um ano e meio aqui e não conheço bem nenhum vizinho. Ao visitar amigos no Brasil, vi como até as casas são feitas para receber pessoas e amigos. Podemos reclamar de muita coisa do Brasil, mas isso é algo bem legal, e reforçou para mim como a vida pode ser solitária aqui no Japão.

Ao avaliar tudo isso, reforcei ainda mais algo que sempre tive dentro de mim. Não existe certo ou errado, melhor ou pior quando se fala de cultura. E que para me relacionar melhor com os japoneses preciso entender e respeitar a cultura daqui, sem deixar de lado as coisas boas de ser brasileiro.

E creio que isso tem a ver conosco e com Deus. Nós cremos em um Deus que quer se relacionar conosco, criar laços! E que respeita nossa história e nossa cultura. Em João 1:14 diz que aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. E viveu em uma cultura específica em um tempo específico. Jesus não veio de calça jeans no meio do deserto. Ele viveu e respeitou os costumes da região e do tempo em que estava, veio como um de nós, vivendo entre nós mesmo sendo um mundo tão sujo e ao contrário da imagem que se tenta criar dele, a Bíblia deixa claro que Ele viveu, não como alguém iluminado e distante, mas no meio das pessoas e junto com elas. Jesus pode ser brasileiro, japonês ou qualquer outra cultura, porque o que Ele quer mesmo é se relacionar conosco para fazer parte do nosso dia a dia.

 

 

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