Dízimo, ofertas e… salada de batata?

14.12.16

Postado por Rodolfo Veronese

 

Já ouviu falar de crowdfunding ou, em português, financiamento coletivo? São sites onde você apresenta seu projeto ou ideia e expõe a necessidade de recursos para que se realize e espera que as pessoas acreditem e doem dinheiro. A maioria dos projetos coloca metas e etapas conforme a quantidade de dinheiro recebida e muitos oferecem alguma vantagem aos doadores como acesso antecipado ao produto ou brindes. Outros não oferecem nada extra apenas a própria realização do projeto em si.

Alguns projetos importantes nasceram de financiamentos coletivos, como a atual tecnologia de óculos de realidade virtual que estão revolucionando o mundo dos vídeo-games; filmes que não foram aceitos inicialmente pelos estúdios mas se tornaram sucesso de crítica e projetos humanitários como alguns do Médico sem Fronteiras.

Qualquer um pode criar os projetos sobre qualquer coisa e as pessoas doam se quiserem, sem necessariamente ter garantia de retorno algum. Por isso é possível achar alguns projetos bem inusitados e outros até um pouco esquisitos. Como por exemplo o da pessoa que pediu doação para fazer sua primeira salada de batata. Sim, isso mesmo. O pedido inicial era de apenas 10 dólares mas no final ele arrecadou mais de 55.000 dólares. Não, eu não digitei errado, é isso mesmo! Pode conferir nesse link.

dízimos e ofertas

E o que isso tem a ver com o nosso projeto aqui no Japão? Bem, faz tempo que gostaria de explicar como nos sustentamos aqui e nossa postura com relação ao dinheiro. Basicamente vivemos hoje 70% de um “crowdfunding” e o restante de nossos investimentos e do trabalho freelancer da Sandra como designer. Chamo de “crowdfunding”, pois uma parte vem como salário da igreja de Diadema, que é sustentado com o dízimo e ofertas dos membros e outra parte de pessoas e amigos que doam regularmente para nós. Então é uma multidão (crowd em inglês) que nos financia e sustenta (funding).

Isso é meio óbvio para a maioria das pessoas, pois afinal sou pastor e estamos aqui como missionários enviados por uma igreja. E aqui que a coisa pega um pouco, pois sabemos que existem muitos abusos com relação a dinheiro no meio religioso, especialmente entre os evangélicos. Apesar de saber que a maioria das pessoas que nos seguem saberem da nossa idoneidade achei por bem explicar nossa postura e opinião sobre o assunto.

Pessoas e instituições pedem dinheiro como doação desde o tempos mais remotos e para as mais diversas causas, pois todos precisam de dinheiro para sobreviver, pagar contas etc. E não precisa ser uma instituição religiosa, até mesmo a ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) pede e recebe doações. A questão para nós está como esse dinheiro é solicitado. Quando há transparência e integridade não há problema algum, mas quando existe promessas infundadas e, principalmente, constrangimento e coação, a situação se torna bem ruim.

Sempre tivemos por princípio deixar tudo sempre claro com relação a esse assunto e nunca coagir ninguém a doar nada. Mesmo quando ainda exercia o pastorado em Diadema, sempre disse a todos os membros que eles deveriam dar o dízimo e ofertas se quisessem e que não estávamos prometendo absolutamente nada em troca, além de transparência e o melhor uso do dinheiro nas atividades da igreja. Por isso também não acho errado receber um salário da igreja como pastor, visto que esse então era o meu trabalho e o sustento da minha família. Meu tempo de trabalho então era totalmente dedicado à igreja. Se em algum momento a igreja dissesse ou não quisesse mais me pagar eu não teria problemas em arrumar outro trabalho mas meu tempo de dedicação ao ministério seria menor. Eu porém entendia que meu trabalho como pastor era adequado para justificar que aquelas pessoas me pagassem para dedicar esse tempo exclusivo a elas ao invés de trabalhar em outro lugar.

E com esses mesmos princípios que viemos para cá, crendo que nosso projeto e nossas propostas eram apropriados o suficiente para que as pessoas que acreditam em nós doassem seu dinheiro para isso. Nunca prometemos, nem prometeremos nada além de transparência e dedicação da nossa parte em nossa missão. Ninguém vai comprar nenhum centímetro do céu nos doando dinheiro. Entendemos que se um cara pode pedir dinheiro para fazer sua própria salada de batatas não existe problema em nós também vivermos de doação desde que sejamos honestos com isso. Doa quem quer e quem acredita que vale a pena investir em nós.

Existem pessoas que nos ajudam e nem sabemos quem é, outros que são amigos de longa data. Alguns que doam bastante, outros bem pouco, alguns constantemente, outros pontualmente, a todos tratamos igualmente e somos eternamente gratos. Em meio a crise que se estabeleceu no Brasil, sabemos o quanto é difícil para as pessoas continuarem doando e continuarmos com nosso sustento tem sido uma prova de amor de todos para conosco. Fica aqui registrado o nosso muito obrigado.

Temos também amigos que não doam nada e nem por isso deixam de ser nossos amigos e nossa consideração por eles não muda nem um pouco. Em nossa vida como família, já ajudamos no sustento de missionários e projetos e hoje nós que somos sustentados dessa maneira.

Se quiser nos ajudar financeiramente ficaremos muito gratos mas não prometemos nenhuma benção a mais, ou que Deus vai devolver em dobro etc. E se não quiser nos ajudar financeiramente e orar por nós também ficaremos muito gratos  por se lembrar de nós e nos apoiar.

Que Deus os abençoe sempre e nunca lhes deixe faltar nada do que é necessário, como Ele tem feito diariamente conosco.

 

 

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