Guerra?

17.05.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

guerra

No últimos meses, muitos amigos têm se preocupado conosco e perguntado sobre a situação com a Coreia do Norte. Por isso gostaríamos de contar um pouco sobre isso.

Primeira coisa que gostaria de destacar que essa situação é algo inédito para nós, visto que o Brasil tem boas relações diplomáticas com seus vizinhos e nosso único ponto crítico é com a Argentina, no entanto apenas em questões de futebol!

A tensão tem aumentado e a China tem começado a se posicionar contra Kim Jong-un. As ameaças do regime norte-coreano ao Japão vêm de longa data e muitos mísseis já foram lançados em direção ao Japão, contudo sem nunca representar perigo real. É notável o desenvolvimento dos mísseis e do programa nuclear norte-coreano, motivo principal da preocupação atual, mas ninguém sabe ao certo em que ponto ele se encontra. A verdade é que dificilmente eles conseguiriam passar pelos modernos sistemas defesa anti-aéreas do Japão a ponto de realmente causar algum estrago.

De qualquer forma, o governo japonês tem orientado a população sobre como proceder em caso de ataque, entretanto isso não significa necessariamente que ele irá acontecer, e mesmo que aconteça, que será efetivo. O Japão é conhecido pela sua obsessão com segurança e prevenção. Manuais de sobrevivência a catástrofes são comuns por aqui.

Na prática, nada tem mudado no dia a dia e, por morarmos relativamente perto de algumas bases militares, a única coisa que notamos foi uma maior movimentação dos militares, mas nada sério ou preocupante.

Apesar de uma iminência de guerra, o Japão ainda continua sendo um país muito seguro. Dissemos sempre aos nossos amigos e familiares que a nossa preocupação é com eles no Brasil, onde uma guerra velada tira a vida de dezenas de milhares de pessoas todos os anos por causa da criminalidade, mortas através de armas de fogo.

Infelizmente às vezes vemos pessoas torcendo para que a guerra aconteça e o regime de Kim Jong-un caia, sem se lembrarem das vidas de pessoas que residem na península coreana que serão perdidas nesse processo.

Por isso nossa oração é para que a paz possa vencer sempre, seja na Coreia do Norte ou nas periferias do nosso Brasil.

 

 

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Jardim de Infância chegando ao fim

8.03.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

A Nicole está entrando nos últimos dias de aulas no youchien (jardim de infância) e isso traz muitos sentimentos para nós. O começo dessa jornada foi bem difícil, ver ela sofrer por não entender os amigos ou a professora, não conseguir pedir coisas básicas como beber água ou ir ao banheiro não foram situações fáceis de suportar. É muito duro ver seu filho sofrer e não poder fazer nada. Na verdade às vezes até podemos interferir, mas não devemos, pois algumas lutas e sofrimentos são importantes para o desenvolvimento deles. E é exatamente o que aconteceu com ela.

Passados dois anos, hoje a Nini está praticamente fluente em japonês, sem perder o português, com muitas amizades e até mesmo ajudando em tarefas da sala de aula com a professora. A escola deu um suporte incrível para a Nicole, apesar de suas dificuldades com a língua e da hiperatividade, sendo sempre muito atenciosos, cuidadosos e especialmente compreensivos com nossa dificuldade no entendimento do japonês.

Esse último ano em particular foi bem desafiador para mim, pois estava como membro do PTA (Associação de Pais e Mestres) e participando de muitas atividades e reuniões apesar de não entender tudo completamente, foi muito recompensador. Fiz muitos pequenos amigos e fiquei bem popular com eles. Afinal não é muito comum um pai que brinca de correr, de mágica, de luta com as crianças. Quando apareço na escola sempre ganho vários cumprimentos e até alguns abraços! Também aprofundamos nossas amizades com outras mães e aos poucos vamos entendendo cada vez melhor como agem e pensam os japoneses. Fizemos festinhas, almoços, ganhamos e demos presentes.

Em alguns dias teremos a formatura e confesso que achava estranho tanta formalidade, pompa e emoção por conta de uma formatura de jardim da infância. Vivenciando esse momento, agora entendo melhor porque é um evento tão importante para os japoneses, tudo que ele representa e a grande mudança que significa. Esse período culmina com o fim do inverno e início da primavera quando logo mais teremos o florescer das sakuras, o que torna tudo ainda mais emocionante e profundo.

Afinal, em abril todos eles estarão iniciando suas aulas na escola fundamental, onde já começarão a ir sozinhos para a escola, ajudar na limpeza, aprender a ler e escrever. Uma mudança e tanto para os filhos e os pais também.

Despedimo-nos desses momentos com alegria por ver o quanto a Nicole se desenvolveu e tudo que foi conquistado, também com um pouco de tristeza de já não mais encontrar diariamente os amigos que fizemos. Esperamos muito poder manter contato com eles mas a maioria vai para escolas diferentes e sabemos que já não será tão fácil encontrá-los. Reconheço que não ouvir mais me chamarem de “Nicorechan no papa” (papai da Nicole) me marejou os olhos. Mas ao mesmo tempo nosso coração se enche de alegria e animação pelo que está por vir.

 

nini youchien

 

 

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TDAH no Japão

19.10.16

Postado por Rodolfo Veronese

 

Era a segunda vez que eu estava vindo ao Japão, e dessa vez estaria “sozinho” substituindo o Pr. Carlos Seiji que estaria no Brasil. Os planos e os preparativos para virmos por um longo prazo estavam a todo vapor e estar aqui pela segunda vez fazia parte disso. Apesar de já saber mais ou menos como era e estar bem empolgado e com convicção do chamado de Deus para nós, algo nessa viagem ia me fazer questionar tudo.

Já fazia algum tempo que estávamos tendo problemas com a Vitória na escola, relatos de distrações constantes, provas não terminadas cheias de desenho, problemas de sociabilidade e muita dificuldade com a escrita e leitura – ela fazia todas as trocas de letras possíveis em português. Começamos então um tratamento de fonoaudiologia mas com pouco efeito e acabamos tendo que levá-la a um neurologista. Nos meses antes de embarcar ao Japão, levamos a Vitória em inúmeros testes e exames e que por fim deram um diagnóstico: Transtorno do Déficit de Atenção.

Confesso que no começo eu não queria aceitar muito até porque tinha visto esse mesmo diagnóstico sendo dado a crianças cujo o problema real era a falta de capacidade dos pais em impor limites aos filhos, o que definitivamente não era nosso caso. O que piorou ainda foi termos recebido o diagnóstico eu estando aqui no Japão e a Sandra sozinha com as duas no Brasil. Na viagem de volta fui pensando e ensaiando o meu discurso de “sinto muito pessoal, obrigado pela confiança mas não vai dar mais!” Eu estava decidido que não teria como vir ao Japão com uma filha com essas dificuldades pois se em português já estava sendo difícil o que diria em japonês! Como seria na escola japonesa cheia de regras? Fora a questão do acompanhamento médico, remédios etc. Orei muito mas na minha mente só havia uma solução: impossível! Estava decidido, mas havia guardado isso para mim, nem mesmo para a Sandra eu havia falado.

Lembro de ter chegado no meio da semana e então iria no culto na IMeL Diadema no domingo. Naquele dia havia sido convidado um pastor missionário que trabalhara muitos anos no Marrocos e ele estava, “coincidentemente”, compartilhando de quando ele estava se preparando para ir em missões e como nove meses antes seu filho nascera SEM o queixo. Isso mesmo, você leu certo, o bebê nasceu com uma má formação no maxilar. Fizeram cirurgias mas era evidente que ele teria problemas no futuro e o médico sabendo dos planos do missionário, alertou que não sabia nem se o menino falaria bem o português quando mais árabe. Foi então que ele mostrou uma foto do filho adulto casado, indo ser missionário no Líbano e que falava português, espanhol, inglês, árabe e alemão.

Nesse momento eu olhei para cima e disse para Deus: ˝Ok, ok, entendi!˝ Ao terminar o culto, um amigo querido da igreja veio direto falar comigo e perguntou: ˝Essa mensagem de hoje foi pra você, né! Senti isso.˝ Ele não poderia estar mais certo.

Ao chegarmos no Japão, conseguimos vaga em um excelente hospital onde ela tem sido bem acompanhada e medicada. Não quer dizer que foi fácil e tem hora que ainda não é, mas o cuidado de Deus é visível para nós. Inclusive ela começou a diminuir a medicação pois está cada vez melhor.

tdah japão

TDAH é algo difícil de lidar no dia a dia, a cabeça dela é uma bagunça às vezes (não que a minha seja muito diferente, quem me conhece sabe) mas uma coisa que haviam nos dito é que ajudaria ter tudo bem organizado e bem rígido na rotina dela. Pois bem, existe lugar melhor para ela do que o Japão então? Não mesmo! Aqui é tudo bem planejado, organizado e isso tem sido excelente para ela.

Hoje posso dizer com propriedade que ela é a mais adaptada da nossa casa e de longe a que fala melhor japonês! Adora o Japão, a escola, a comida, os amigos daqui. Diz que do Brasil só tem saudade das pessoas.

Pode parecer só uma grande coincidência para alguns, mas descobri que quando a gente ora e crê em Deus, as coincidências acontecem muito mais.

 

 

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Terremotos em Kumamoto

20.04.16

Postado por Rodolfo Veronese

 

Na última semana, os arredores e a cidade de Kumamoto veem sofrendo constantes tremores de terra, sendo que o mais forte chegou a 7,4 na escala Richter. Já contabilizam 41 mortos e milhares de feridos, além dos muitos prédios destruídos e do isolamento da cidade, pois as estradas e linhas de trem também foram danificadas. Estima-se que mais de 200 mil pessoas foram evacuadas e estão em abrigos públicos porque ainda é perigoso retornar às casas. As chamadas réplicas, ou tremores secundários, ainda continuam 5 dias após o início dos tremores, o que deixa a situação ainda mais perigosa uma vez que edifícios que estavam aparentemente estáveis podem vir a desmoronar.

A cidade de Kumamoto fica na ilha de Kyushu, bem ao sul do Japão, aproximadamente a 1.200 quilômetros de distância de onde moramos, por isso não chegamos a sentir nenhum tipo de tremor nesse dias, além dos habituais terremotos mais fracos. No entanto temos acompanhado com muita preocupação e oração tudo que tem acontecido por lá. Temos apenas um amigo que está morando na ilha mas já temos notícia que ele está bem.
Agradecemos a preocupação de todos que nos enviaram mensagens perguntando se estamos seguros.

 

Terremoto em Kumamoto

 

E apesar de todas as mortes e consequências ruins é sempre impressionante ver como o Japão é uma país que planeja e se preocupa com a segurança e bem estar do seu povo. São constantes os treinamentos e avisos sobre como agir em caso de catástrofes. Quando comparamos com tremores de igual intensidade ou até mesmo mais fracos em outros lugares vemos que os danos por aqui são bem menores.

Aqui em casa procuramos nos prevenir como podemos e seguir as orientações que nos são dadas. Comentamos nesse post sobre o kit para emergências que mantemos em casa para esses casos. Interessante notar que nos supermercados e home centers existem seções dedicadas de produtos especializados para catástrofes como as comidas semi-prontas, lanternas e até mesmo sanitários portáteis.

Pedimos que estejam orando pelo Japão, e especialmente por Kumamoto, pois a situação ainda é bem delicada e tem faltado água e mantimentos por conta do isolamento. E mais uma vez agradecemos o carinho e cuidado conosco.

 

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Nem tudo são sakuras mesmo!

18.11.15

Postado por Rodolfo Veronese

 

Nem tudo são sakuras, esse foi o título de um post antigo que foi escrito antes de virmos para o Japão (veja nesse link) onde colocávamos algumas de nossas preocupações. Algumas não se concretizaram, outras nos pegaram de surpresa, porém estávamos certos de que nem tudo são sakuras mesmo.

Nossa intenção nesse post não é nos vitimizar, até porque foi escolha nossa vir para cá, mas sim quebrar um pouco do romantismo exagerado quando se fala em missões. São situações que já passaram e não nos incomodam mais, na verdade hoje damos até risada! Pois morar no Japão ou em qualquer lugar no exterior nem sempre é tão mágico ou fácil como se imagina.

Logo que chegamos não tínhamos carro, apenas a nossa bicicleta, no entanto era pleno inverno e andamos muito no frio e até na chuva para ir até à estação de trem ou no supermercado. Um domingo ao irmos para a igreja estava chovendo sem parar e não adiantava esperar passar, então improvisamos uma capa de chuva por cima do carrinho da Nicole e encaramos a caminhada. Foi tenso e molhado! Nos dias de frio, o vento gelado era de rachar e o Rodolfo, mesmo de luva, ia revezando a mão que doía de frio para empurrar o carrinho.

nem tudo são sakuras 2

Quando começamos a levar a Nicole de carro no youchien (escola infantil), a Sandra, por não entender as muitas regras do estacionamento, parou algumas vezes errado. E era engraçado que apenas o nosso carro estava lá no estacionamento e ela voltava pra casa dizendo ˝acho que fiz alguma coisa errada, porque só tinha eu lá nesse horário!˝.

Essa falha no entendimento do japonês também nos fez mandar as meninas com roupas erradas para a escola em algumas ocasiões. Era para ir com uma roupa velha para pintura e o Rodolfo entendeu que era para mandar com uma roupa bonitinha e a Vitória voltou com o lindo vestidinho cheio de pingos de tinta.

Cada ligação para tentar resolver algo era um motivo de estresse. Certa vez, ao ligar para a o suporte da internet, após a atendente explicar tudo usando um japonês bem formal e difícil, o Rodolfo explicou que era estrangeiro e pediu para ela usar palavras mais simples. Ela repetiu tudo igual só que bem de-va-gar. Continuamos sem internet por mais uma semana…

Em nossas andanças de trem voltando da igreja, já bem cansados do dia puxado, depois de algumas estações com nomes desconhecidos percebemos que erramos o sentido! Voltamos para nossa rota correta mas por causa disso levou 45 minutos a mais! Minutos esses que a Sandra teve que aguentar a cara emburrada do Rodolfo todo o caminho de volta.

Acostumado com o volante do lado esquerdo, o Rodolfo também calculou o tamanho do carro para a esquerda errado e ao sair do estacionamento do youchien resolveu ˝levar junto˝ um poste de metal pequeno que segura a corrente. Perdemos a saia lateral de nosso carro e por sorte não amassou a lataria. Claro que isso foi na frente de várias mães levando seus filhos. No dia seguinte colocaram um ˝extensor˝ bem alto. Só faltou estar escrito ˝não bata aqui, seu braço!˝. Apesar do prejuízo, rimos bastante da situação e reza a lenda que a Sandra vai zoar o Rodolfo por causa disso por toda a eternidade.

Essas foram algumas das situações ruins que passamos e, apesar disso, em todas elas vimos a mão de Deus que nunca nos abandona. Mesmo com as dificuldades, nossos dias tem sido recheados de bençãos, alegria e amizade.

 

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