Carinho do Brasil

28.06.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Há quanto tempo você não recebe uma carta escrita a mão pelo correio? Faz tempo, não é mesmo? Era algo tão comum mas se tornou raríssimo e uma verdadeira preciosidade.

Pois foi exatamente um presente assim que recebemos nos últimos dias. O carteiro tocou e nos entregou um envelope cheio de cartinhas das crianças da IMeL Diadema com mensagens para todos nós. Desde quando começamos a nos envolver com missões há 20 anos atrás sabíamos o quão importante era esse tipo de carinho para os missionários e sempre incentivamos a igreja a enviar mensagens de apoio e agora foi a nossa vez de receber e perceber que é ainda mais realizador do que imaginávamos.

Ficamos muito felizes e gratos por esse carinho das crianças e professores da E.D. de Diadema. Muito obrigado!

 

carinho do brasil

 

 

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Não escolhi o nome das minhas filhas

31.05.17

Postado por Sandra

 

Desde quando eu e o Rodolfo namorávamos, eu já tinha em mente quais nomes gostaria de colocar nos meus filhos! Namoramos por muito tempo (7 anos!), então ficávamos imaginando como seriam os rostinhos dos nossos filhos mestiços. Acho que todo casal sonha com os seus futuros filhos e os nomes que mais gostam, não é mesmo?

Da minha parte, o baque quando não conseguimos ter filhos e que o tratamento tão caro não tinha dado certo foi um pouco diferente dos sentimentos que o Rodolfo escreveu no post sobre a adoção da Vitória (link). Com toda certeza foi um desgaste emocional e toda vez que eu lembro bate aquela mistura de sentimentos confusos. Mas no fundo, o que eu gostaria mesmo, mais do que engravidar, poder gerar meus próprios filhos e/ou amamentar, seria formar uma família, educar uma criança, deixar um legado para ela. E isso eu conseguiria sim através da adoção. Para mim essa conclusão chegou naturalmente e já ficava sonhando com essa nova possibilidade.

não escolhi o nome das minhas filhas

A chegada da Vitória não poderia ser no melhor momento. Eu me sentia mais madura, com a certeza do que estávamos fazendo e com muita vontade de ver nossa família crescer. Ela já veio com 2 anos e 9 meses, e pulamos aquela fase de bebê pequeno, mas mesmo assim tudo foi muito mágico e precioso. Claro que esses momentos mágicos não excluíram momentos de manha máxima que foram necessários disciplina, tirada de fralda que resultaram em muitos xixis no chão, horas das refeições que duraram uma hora ou mais. Eu sabia que isso fazia parte do processo. E o nome? Deus não poderia ter nos dado a ˝Vitória˝ mais certa, tinha tudo a ver com a nossa história e, convenhamos, é um nome lindo. Ponto para Ele!

E passados exatos 2 anos e 9 meses após a adoção da Vivi, qual o bebê de 9 meses chega aos nossos cuidados? Sim, a Nicolete, Ninizilla ou simplesmente a nossa Nini. Veio como um furacão nas nossas vidas, pois além de ser uma bebê muito esperta e inteligente, era (e é) ativa como nunca. A Nicole veio confirmar que os caçulas são os mais danados (me incluo nessa descrição) e quer fazer tudo conforme a irmã mais velha, apesar de quase 5 anos de diferença. Talvez se tivesse vindo primeiro seria muito provável que seria filha única… Voltando ao nome: Nicole, outro nome lindo. Ponto para Deus novamente!

Sempre falo para a Vitória e a Nicole que Jesus tem algo muito especial para nossa família, pois juntou 4 pessoas completamente diferentes para unidos cumprirmos uma missão, claro que inclui estarmos aqui no Japão, mas muito mais que isso, de mostrar o quanto Deus realmente se importa com a história de cada um de nós e que nada, nadinha é por acaso. Tudo o que passamos tinha um propósito maior e o nosso sofrimento lá no comecinho da história não se compara ao que temos hoje. Lembre-se sempre que Deus é fiel e nos ama incondicionalmente, e o que Ele tem reservado para nós é muito melhor do que tudo aquilo que sonhamos ou planejamos.

 

 

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[É melhor no Brasil] Atendimento médico

25.05.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Normalmente esse assunto não é bem recebido, pois o chamado “complexo de vira-lata” de alguns brasileiros faz parecer uma ofensa qualquer elogio que fazemos ao Brasil, mas a verdade é que depois de se morar no exterior algum tempo, principalmente depois que a fase do encanto passa, a gente começa a perceber que algumas coisas, apesar dos pesares, são bem melhores em terras tupiniquins. Queremos então fazer uma série [É melhor no Brasil] aqui no blog sobre coisas que temos saudades do Brasil.

A primeira e que mais nos chocou e nos incomoda até hoje é o atendimento médico. Sabemos que atendimento médico de qualidade é um privilégio de poucos no Brasil e que muitas pessoas sofrem nas filas dos SUS. Então colocando a abrangência do atendimento de lado e focando na qualidade do mesmo, o Brasil está muito a frente do Japão. Não se confunda, os equipamentos e estruturas dos hospitais são fantásticos e de alta tecnologia, já os atendimentos médicos…

 

É melhor no Brasil - atendimento médico

No começo achamos que era algo peculiar daquele médico que íamos mas com o tempo fomos percebendo que é um padrão. O atendimento é bem frio e impessoal e dificilmente o médico faz muitas perguntas ou tenta entender o que você está passando. O padrão é descrevermos todos os sintomas para a enfermeira na triagem, que pede alguns exames se achar necessário e ao sentar na frente do médico, ele basicamente lê os sintomas, os resultados e então passam algum remédio. Faltou algo aí não? Sim, o diagnóstico. Já fomos muitas vezes em que um remédio é passado, entretanto nenhuma informação da doença! E não é problema de tradução, porque sempre contamos com amigos nos auxiliando nisso. Para se ter ideia, raramente uma consulta nossa ou com as meninas durou mais do que 5 a 6 minutos. Sem exagero.

Os remédios são sempre receitados em doses bem fracas perto do que estamos acostumados no Brasil. Não que isso seja necessariamente ruim, porém determinados tipos de remédios que já estamos acostumados nas doses do Japão não fazem nem cócegas. Para não dizer que não há exceções, a dentista das meninas é muito atenciosa e explica de forma bem clara e devagar para que possamos entender mesmo sem tradução, e um dos médicos da Vitória falava um inglês fluente e mostrou bastante preocupação no cuidado dela. O bom que é que as crianças têm auxílio do governo e qualquer consulta médica é cobrado um valor bem pequeno e os remédios são de graça. Como foi dito, o sistema é bom, já o atendimento é complicado.

Não queremos desmerecer o esforço e dedicação dos médicos japoneses de forma alguma, no entanto sentimos muita falta da atenção e cuidado dos profissionais brasileiros, especialmente em momentos de preocupação e apreensão que doenças repentinas ou o tratamento das meninas nos proporciona. Não é difícil ver brasileiros preferindo voltar para se tratar ou ter filhos no Brasil.

No fim das contas, no Brasil ou no Japão, confiamos mesmo é no médico dos médicos, Jesus!

 

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Jardim de Infância chegando ao fim

8.03.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

A Nicole está entrando nos últimos dias de aulas no youchien (jardim de infância) e isso traz muitos sentimentos para nós. O começo dessa jornada foi bem difícil, ver ela sofrer por não entender os amigos ou a professora, não conseguir pedir coisas básicas como beber água ou ir ao banheiro não foram situações fáceis de suportar. É muito duro ver seu filho sofrer e não poder fazer nada. Na verdade às vezes até podemos interferir, mas não devemos, pois algumas lutas e sofrimentos são importantes para o desenvolvimento deles. E é exatamente o que aconteceu com ela.

Passados dois anos, hoje a Nini está praticamente fluente em japonês, sem perder o português, com muitas amizades e até mesmo ajudando em tarefas da sala de aula com a professora. A escola deu um suporte incrível para a Nicole, apesar de suas dificuldades com a língua e da hiperatividade, sendo sempre muito atenciosos, cuidadosos e especialmente compreensivos com nossa dificuldade no entendimento do japonês.

Esse último ano em particular foi bem desafiador para mim, pois estava como membro do PTA (Associação de Pais e Mestres) e participando de muitas atividades e reuniões apesar de não entender tudo completamente, foi muito recompensador. Fiz muitos pequenos amigos e fiquei bem popular com eles. Afinal não é muito comum um pai que brinca de correr, de mágica, de luta com as crianças. Quando apareço na escola sempre ganho vários cumprimentos e até alguns abraços! Também aprofundamos nossas amizades com outras mães e aos poucos vamos entendendo cada vez melhor como agem e pensam os japoneses. Fizemos festinhas, almoços, ganhamos e demos presentes.

Em alguns dias teremos a formatura e confesso que achava estranho tanta formalidade, pompa e emoção por conta de uma formatura de jardim da infância. Vivenciando esse momento, agora entendo melhor porque é um evento tão importante para os japoneses, tudo que ele representa e a grande mudança que significa. Esse período culmina com o fim do inverno e início da primavera quando logo mais teremos o florescer das sakuras, o que torna tudo ainda mais emocionante e profundo.

Afinal, em abril todos eles estarão iniciando suas aulas na escola fundamental, onde já começarão a ir sozinhos para a escola, ajudar na limpeza, aprender a ler e escrever. Uma mudança e tanto para os filhos e os pais também.

Despedimo-nos desses momentos com alegria por ver o quanto a Nicole se desenvolveu e tudo que foi conquistado, também com um pouco de tristeza de já não mais encontrar diariamente os amigos que fizemos. Esperamos muito poder manter contato com eles mas a maioria vai para escolas diferentes e sabemos que já não será tão fácil encontrá-los. Reconheço que não ouvir mais me chamarem de “Nicorechan no papa” (papai da Nicole) me marejou os olhos. Mas ao mesmo tempo nosso coração se enche de alegria e animação pelo que está por vir.

 

nini youchien

 

 

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Casa limpa X País seguro

22.02.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Casa limpa X País seguro

 

Certa vez li um artigo muito bom onde um brasileiro, residente na Holanda, comenta sobre a relação entre se lavar o próprio banheiro e poder abrir um Mac Book no ônibus. Um título no mínimo inusitado e que me chamou a atenção, e que me fez refletir um pouco sobre alguns conceitos e cultura que temos no Brasil ainda mais que estávamos prestes a nos mudar para o Japão. Recomendo a leitura do artigo nesse link. Resumidamente, ele defende que a violência é fruto da desigualdade social como vemos no parágrafo abaixo:

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Aqui no Japão é um pouco diferente do que ele descreve no texto sobre a Holanda, existe sim uma hierarquia social bem clara e rígida mas que não se reflete na situação socioeconômica da população. De forma geral as pessoas recebem salários decentes mesmo pelos trabalhos tido, especialmente por nós brasileiros, como sendo de menos prestígio. Por isso alguns serviços são bem caros comparados ao que estávamos acostumados no Brasil! E um deles é o de empregada doméstica ou faxineira. Não que não exista, contudo o empregador precisa ser muito rico para poder pagar um salário digno para quem for trabalhar para ele.

Apesar de já sabermos que seria assim, confesso que não foi tão fácil, reconhecer, questionar e mudar um conceito que tínhamos de que é necessário ter uma pessoa que faça a limpeza da sua casa para você. No começo foi meio penoso e fazíamos algumas coisas reclamando e pensando como seria bom ter uma faxineira. Com tempo fomos nos acostumando e vendo como não é assim tão complicado. Aqui, os produtos de limpeza são excelentes e práticos, as próprias casas e móveis são feitas de forma a ser muito fácil limpar e até mesmo a sociedade é estruturada para isso. O costume de tirar o sapato, por exemplo, faz muita diferença no dia a dia. As crianças também são ensinadas desde cedo a fazer parte das tarefas domésticas e tem aulas sobre isso e ajudam na limpeza da própria escola.

Após esses dois anos experimentando uma segurança impressionante nas ruas do Japão, na verdade quase inacreditável para quem veio do Brasil, concordo ainda mais com o texto que  prefiro limpar meu próprio banheiro do que ter que andar com vidro fechado e tenso em todo semáforo que paro. Também aprendemos a desencanar de algumas coisas com relação aos serviços domésticos, a valorizar alguns que são realmente chatos e penosos, e principalmente que é possível adequar isso à nossa rotina sem maiores estresses.

Sempre falamos entre nós que caso se voltarmos ao Brasil vamos manter aquilo que aprendemos aqui, a tirar os sapatos antes de entrar em casa e não ter mais faxineira.

 

 

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