[É melhor no Brasil] Atendimento médico

25.05.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Normalmente esse assunto não é bem recebido, pois o chamado “complexo de vira-lata” de alguns brasileiros faz parecer uma ofensa qualquer elogio que fazemos ao Brasil, mas a verdade é que depois de se morar no exterior algum tempo, principalmente depois que a fase do encanto passa, a gente começa a perceber que algumas coisas, apesar dos pesares, são bem melhores em terras tupiniquins. Queremos então fazer uma série [É melhor no Brasil] aqui no blog sobre coisas que temos saudades do Brasil.

A primeira e que mais nos chocou e nos incomoda até hoje é o atendimento médico. Sabemos que atendimento médico de qualidade é um privilégio de poucos no Brasil e que muitas pessoas sofrem nas filas dos SUS. Então colocando a abrangência do atendimento de lado e focando na qualidade do mesmo, o Brasil está muito a frente do Japão. Não se confunda, os equipamentos e estruturas dos hospitais são fantásticos e de alta tecnologia, já os atendimentos médicos…

 

É melhor no Brasil - atendimento médico

No começo achamos que era algo peculiar daquele médico que íamos mas com o tempo fomos percebendo que é um padrão. O atendimento é bem frio e impessoal e dificilmente o médico faz muitas perguntas ou tenta entender o que você está passando. O padrão é descrevermos todos os sintomas para a enfermeira na triagem, que pede alguns exames se achar necessário e ao sentar na frente do médico, ele basicamente lê os sintomas, os resultados e então passam algum remédio. Faltou algo aí não? Sim, o diagnóstico. Já fomos muitas vezes em que um remédio é passado, entretanto nenhuma informação da doença! E não é problema de tradução, porque sempre contamos com amigos nos auxiliando nisso. Para se ter ideia, raramente uma consulta nossa ou com as meninas durou mais do que 5 a 6 minutos. Sem exagero.

Os remédios são sempre receitados em doses bem fracas perto do que estamos acostumados no Brasil. Não que isso seja necessariamente ruim, porém determinados tipos de remédios que já estamos acostumados nas doses do Japão não fazem nem cócegas. Para não dizer que não há exceções, a dentista das meninas é muito atenciosa e explica de forma bem clara e devagar para que possamos entender mesmo sem tradução, e um dos médicos da Vitória falava um inglês fluente e mostrou bastante preocupação no cuidado dela. O bom que é que as crianças têm auxílio do governo e qualquer consulta médica é cobrado um valor bem pequeno e os remédios são de graça. Como foi dito, o sistema é bom, já o atendimento é complicado.

Não queremos desmerecer o esforço e dedicação dos médicos japoneses de forma alguma, no entanto sentimos muita falta da atenção e cuidado dos profissionais brasileiros, especialmente em momentos de preocupação e apreensão que doenças repentinas ou o tratamento das meninas nos proporciona. Não é difícil ver brasileiros preferindo voltar para se tratar ou ter filhos no Brasil.

No fim das contas, no Brasil ou no Japão, confiamos mesmo é no médico dos médicos, Jesus!

 

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2 anos: parece que foi ontem!

18.01.17

Postado por Rodolfo Veronese

 

Parece que foi ontem que chegamos ao Japão, no entanto essa semana faz 2 anos que já estamos aqui e muita coisa mudou nesse tempo. É impossível não refletir sobre tudo que passamos, as lutas e conquistas nessa difícil tarefa de levar o Evangelho aos japoneses. E apesar de parecer que o tempo está passando mais rápido, também podemos perceber algumas mudanças significativas. Foi difícil o início da nossa adaptação aqui, e especialmente no final de 2015 estávamos nos sentindo bem pressionados e estressados.

Não saber a língua e não entender as sutilezas das diferenças culturais eram golpes diários em nossa auto-estima. Na verdade ainda não entender tudo é um grande desafio, mas estamos bem mais confiantes. Fora a nossa constante preocupação com a adaptação e bem estar das meninas. Ainda precisamos muito da ajuda dos amigos e irmãos da igreja entretanto atualmente lidamos melhor com as coisas simples do cotidiano. E, aos poucos, o emaranhado de tracinhos (kanjis) e as muitas palavras com sons parecidos da língua japonesa começam a fazer mais sentido.

2 anos

 

O Rodolfo, por exemplo, já consegue ir na oficina pedir para trocar o óleo sozinho e a Sandra já deu até uma palestra sobre o Brasil, em japonês como mostrando nesse post. Também temos conseguido romper as barreiras culturais e criar amizades com os japoneses, o que também não é tarefa fácil, pois eles são sempre bem reservados apesar de muito simpáticos e prestativos. Estamos muito contentes com os avanços de nosso projeto ainda que pareçam pequenos, pois não perdemos a perspectiva de que estamos em um dos campos missionários mais difíceis do mundo.

Nesses dois anos muitas vezes tivemos questionamentos sobre estarmos fazendo a coisa certa, porém a cada luta, cada dificuldade, vimos a mão de Deus nos guiando e cuidando de nós.

Ainda temos mais um ano nesse primeiro termo do nosso projeto e vemos algumas provas difíceis à frente. Apesar disso, temos cantado uma música em japonês aos domingos que reflete bem nosso sentimento:

共に笑い共に泣きどんな壁も乗り越えるイエスが一緒にいるから (veja o vídeo dessa música neste link).

Tomo ni warai tomo ni naki donna kabe mo nori koeru Iesu ga isshou ni iru kara

No riso ou na dor, podemos ultrapassar qualquer barreira porque Jesus está conosco!

As mensagens, carinho, apoio e oração de cada um que tem nos acompanhado até aqui sempre foram e continuam sendo essenciais. Muito obrigado por estarem conosco até aqui. Somos muito gratos a Deus por amigos e apoiadores tão fiéis a nós.

 

 

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TDAH no Japão

19.10.16

Postado por Rodolfo Veronese

 

Era a segunda vez que eu estava vindo ao Japão, e dessa vez estaria “sozinho” substituindo o Pr. Carlos Seiji que estaria no Brasil. Os planos e os preparativos para virmos por um longo prazo estavam a todo vapor e estar aqui pela segunda vez fazia parte disso. Apesar de já saber mais ou menos como era e estar bem empolgado e com convicção do chamado de Deus para nós, algo nessa viagem ia me fazer questionar tudo.

Já fazia algum tempo que estávamos tendo problemas com a Vitória na escola, relatos de distrações constantes, provas não terminadas cheias de desenho, problemas de sociabilidade e muita dificuldade com a escrita e leitura – ela fazia todas as trocas de letras possíveis em português. Começamos então um tratamento de fonoaudiologia mas com pouco efeito e acabamos tendo que levá-la a um neurologista. Nos meses antes de embarcar ao Japão, levamos a Vitória em inúmeros testes e exames e que por fim deram um diagnóstico: Transtorno do Déficit de Atenção.

Confesso que no começo eu não queria aceitar muito até porque tinha visto esse mesmo diagnóstico sendo dado a crianças cujo o problema real era a falta de capacidade dos pais em impor limites aos filhos, o que definitivamente não era nosso caso. O que piorou ainda foi termos recebido o diagnóstico eu estando aqui no Japão e a Sandra sozinha com as duas no Brasil. Na viagem de volta fui pensando e ensaiando o meu discurso de “sinto muito pessoal, obrigado pela confiança mas não vai dar mais!” Eu estava decidido que não teria como vir ao Japão com uma filha com essas dificuldades pois se em português já estava sendo difícil o que diria em japonês! Como seria na escola japonesa cheia de regras? Fora a questão do acompanhamento médico, remédios etc. Orei muito mas na minha mente só havia uma solução: impossível! Estava decidido, mas havia guardado isso para mim, nem mesmo para a Sandra eu havia falado.

Lembro de ter chegado no meio da semana e então iria no culto na IMeL Diadema no domingo. Naquele dia havia sido convidado um pastor missionário que trabalhara muitos anos no Marrocos e ele estava, “coincidentemente”, compartilhando de quando ele estava se preparando para ir em missões e como nove meses antes seu filho nascera SEM o queixo. Isso mesmo, você leu certo, o bebê nasceu com uma má formação no maxilar. Fizeram cirurgias mas era evidente que ele teria problemas no futuro e o médico sabendo dos planos do missionário, alertou que não sabia nem se o menino falaria bem o português quando mais árabe. Foi então que ele mostrou uma foto do filho adulto casado, indo ser missionário no Líbano e que falava português, espanhol, inglês, árabe e alemão.

Nesse momento eu olhei para cima e disse para Deus: ˝Ok, ok, entendi!˝ Ao terminar o culto, um amigo querido da igreja veio direto falar comigo e perguntou: ˝Essa mensagem de hoje foi pra você, né! Senti isso.˝ Ele não poderia estar mais certo.

Ao chegarmos no Japão, conseguimos vaga em um excelente hospital onde ela tem sido bem acompanhada e medicada. Não quer dizer que foi fácil e tem hora que ainda não é, mas o cuidado de Deus é visível para nós. Inclusive ela começou a diminuir a medicação pois está cada vez melhor.

tdah japão

TDAH é algo difícil de lidar no dia a dia, a cabeça dela é uma bagunça às vezes (não que a minha seja muito diferente, quem me conhece sabe) mas uma coisa que haviam nos dito é que ajudaria ter tudo bem organizado e bem rígido na rotina dela. Pois bem, existe lugar melhor para ela do que o Japão então? Não mesmo! Aqui é tudo bem planejado, organizado e isso tem sido excelente para ela.

Hoje posso dizer com propriedade que ela é a mais adaptada da nossa casa e de longe a que fala melhor japonês! Adora o Japão, a escola, a comida, os amigos daqui. Diz que do Brasil só tem saudade das pessoas.

Pode parecer só uma grande coincidência para alguns, mas descobri que quando a gente ora e crê em Deus, as coincidências acontecem muito mais.

 

 

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O que mais sentimos falta

10.08.16

Postado por Sandra

 

Da família e dos amigos. Simples assim. E toda vez que penso nesse assunto, dá um nó na garganta que preciso começar a pensar em outra coisa para não escorrer uma lágrima. E olha quem me conhece há algum tempo me descreve como “coração de pedra”!

Mas graças a Deus hoje temos a tecnologia ao nosso favor que diminui um pouco essa enorme distância. Minha mãe já sabe usar o Skype, apesar de já ter acordado meu tio ligando às 6h30 da manhã no Japão – isso é um mero detalhe! E outros programas e conversas on-line como WhatsApp, Line, Messenger, FaceTime têm ajudado quando a saudade aperta.

 

o que sentimos falta

 

O restante é administrável. A comida, por exemplo, no Japão temos alguns lugares que vendem produtos brasileiros, e cozinho o que a gente mais gosta, com algumas adaptações. Vou confessar que um requeijão com pão francês é algo que realmente sinto falta. Aqui tem requeijão mas é muito caro, já testamos algumas receitas mas a cremosidade não ficou parecida. O clima também já acostumamos mais e, como a maioria dos locais fechados são climatizados, não é um problema. A língua, com o passar do tempo e estudando diariamente, temos entendendo pouco a pouco mais, e algumas coisas estamos conseguindo autonomia. Estamos longe da fluência, mas o meu objetivo é a cada dia entender mais da língua japonesa.

Temos feitos muitos amigos aqui também, a maioria da igreja, mas outros de outros lugares: na aula de japonês, nas escola das meninas ou até dos trabalhos que tenho feito por aqui. Com os japoneses esse processo de amizade é um pouco mais devagar, mas aos poucos estamos estreitando os laços com eles.

Muito obrigada a todos que de vez em quando manda um recadinho ou interage no Facebook ou outro app, sinto que é Deus cuidando da gente através de cada mensagem. Meu coração se sente aquecido com o contato de vocês. Por favor, continuem!

 

 

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5 coisas que mudaram em 1 ano de Japão

16.03.16

Postado por Sandra

 

1. Parei de converter o preço de Ien para o Real

Porque certos valores em Real são assustadores e, no geral, o custo de vida aqui no Japão é mais alto que no Brasil. Então para não deixar de comprar o que é essencial, parei de converter os valores. Por exemplo, se alguma coisa custa 200 ienes, então são ¥ 200 e não R$ 6,30 só para parar de sofrer! Hehehe.

 

2. A segurança

No Brasil, alguns carros trancam as suas portas automaticamente depois de andar alguns metros ou atingir certa velocidade. Aqui quase nunca tranco as portas, só às vezes para segurança das meninas para que elas não caiam do carro ou coisa assim.

As portas de casa também ficam destrancadas sem maiores preocupações.

Outro dia esqueci o meu celular na cestinha da bicicleta (que cabeça a minha!), que fica parada em um lugar coberto próximo à rua. Voltei depois de uns 20 minutos e estava lá! Também já precisei deixar as compras na cestinha da bicicleta para entrar em uma outra loja e quando voltei, estava tudo como havia deixado.

 

3. O frio

Quando viemos pela primeira vez no início de 2014, sofremos bastante com o frio intenso que faz aqui. A temperatura média aqui em Chiba entre dezembro e março (inverno), é mais ou menos uns 5 graus. Tem uns dias mais quentes e outros mais frios. Outro dia até nevou, algo que não é muito comum para esses lados. Claro que temos que sair com um casaco mais grosso, luvas e tal, mas hoje essa situação não incomoda mais tanto.

Quando estamos na rua faz sim muito frio, mas dentro dos lugares, das casas, trens, lojas, mercados, geralmente é bem quentinho (de 15 a 20 graus). No trem, além de ser um ambiente climatizado, os assentos esquentam quando tem alguém sentado.

Também passamos a nos organizar conforme as estações. No inverno, saem os aquecedores e no verão eles trocam de lugar nos armários com os ventiladores, assim como as roupas, blusas e até mesmo os tipos de comida!

 

1ano_oquemudou

 

4. Não respondemos mais ao ˝irasshaimase˝

O irasshaimase (いらっしゃいませ) é como se fosse o bem-vindo que o funcionário da loja faz para recepcionar os clientes. Mas você não vai ouvir só uma vez não! Quase todas as vezes que você vir um funcionário, ele falará irasshaimase para você. Logo que chegamos, como bons brasileiros, respondíamos ao cumprimento pelo menos com um aceno de cabeça. O fato deles falarem isso não implica que estão esperando uma resposta, pois faz parte do seu trabalho e seu trato com os clientes.

 

5. O trânsito

O Rodolfo tem dirigido bem mais calmamente por aqui, apesar de uma vez ou outra ter ligado o seu modo ˝paulista˝. Já falamos das 5 curiosidades do trânsito neste post aqui, e eles dirigem de forma paciente e mais devagar que em São Paulo. Acho que quando voltarmos vamos ter que nos readaptar, com certeza!

 

 

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